top of page
  • Facebook
  • Instagram
  • Pinterest
  • Blogger

Nas pegadas de Ernest Hemingway por Milão


Hemingway em Milão

Ernest Hemingway foi um dos escritores estadunidenses mais famosos do seu tempo e continua, até hoje, sendo lembrado e imitado em várias esferas da sua vida: pelas histórias de seus contos e romances inspirados na vida real, pela sua escrita direta e vigorosa e pelo estilo de vida aventureiro, que incluiu uma carreira de jornalista, quatro esposas e muitas viagens pelo mundo.


O Prêmio Nobel de Literatura nasceu no dia 21 de julho de 1899, em Oak Park, cidade próxima de Chicago, e viveu por 61 anos. Como herança, ele nos deixou os romances O sol também se levanta (1926), Adeus às armas (1929), Por quem os sinos dobram (1940) e O velho e o mar (1952), só para mencionar alguns, além de muitos contos e o livro autobiográfico Paris é uma festa (publicado, postumamente, em 1964).


Neste texto, celebrarei a passagem desse escritor aventureiro por este planeta apresentando lugares de Milão visitados por ele. Essa cidade italiana foi importante na vida de Hemingway por ser a primeira da Europa onde ele morou por uma temporada, para recuperar-se de ferimentos obtidos num campo de batalha, e o lugar onde conheceu aquela que seria o primeiro grande amor da sua vida: a enfermeira Agnes von Kurowsky.


Na Milão de Hemingway

Lugares da Milão de Hemingway: Piazza del Duomo, Galleria Vittorio Emanuele II e Café Cova.
Fran Mateus visitando a Milão de Ernest Hemingway. Nas fotos, a entrada da Galleria Emanuele II, Catedral e Piazza del Duomo e uma mesa no Café Cova (Coleção particular).

Hemingway foi ferido no dia 8 de julho de 1918 num front italiano e encaminhado para Milão, na madrugada do dia seguinte, para ser tratado no Hospital da Cruz Vermelha Americana, onde Agnes já se encontrava. Ele se apaixonou à primeira vista e ela gostou do cortejo. 

No outono, a guerra sempre estava lá, mas nós não íamos mais. Fazia frio em Milão, e os dias escureciam cedo. Aí acendia a luz elétrica, e era bom andar pelas ruas olhando as vitrines… Íamos ao hospital toda tarde, e havia várias maneiras de caminhar pela cidade para o hospital no crepúsculo (Em um outro país).

Logo que pôde andar de muletas, Hemingway aproveitou para, sozinho, com outros soldados ou com sua amada, explorar a elegante cidade onde se encontrava. Esses passeios incluíam tanto os lugares no percurso entre o hospital onde estava internado e aquele onde fazia exercícios de fisioterapia, como pontos turísticos: a praça do Duomo, a galeria de lojas Vittorio Emanuelle II, o teatro Scala, o café Cova e, mais distante, o hipódromo de San Siro.


Hospital da Cruz Vermelha Americana

O hospital onde Hemingway foi internado — e onde ele também acomodou os soldados do conto Em um outro país e do romance Adeus às armas — funcionou de 1917 a 1919 na Via Armorari, 6 (metrôs Cordusio ou Duomo). Uma placa colocada na frente do prédio celebra o fato:


No verão de 1918, este prédio foi usado como hospital pela Cruz Vermelha Americana, onde Ernest Hemingway, ferido no front de Piave, recebeu cuidados e tratamentos. Aqui nasceu a verdadeira história de “Adeus às armas”. 


Ospedale Maggiore

Depois, iniciei o tratamento mecânico no Ospedale Maggiore - flexões da junta, raios violeta, massagens, banhos (Adeus às armas).

No prédio do Ca’ Grande Ospedale Maggiore Policlinico, fundado em 1456 e de estilo arquitetônico Renascentista, Hemingway e seus personagens fizeram os exercícios de fisioterapia necessários para suas recuperações (Via Francesco Sforza, 28; metrô Sforza-Policlinico).


Além do hospital, o local também abriga a sede da Universidade de Milão.


Piazza del Duomo

Cruzamos as linhas do bonde. À nossa esquerda ficavam as lojas com as vitrines iluminadas e a entrada da Galeria. Havia neblina na praça e, quando paramos na frente da catedral, a enorme fachada de pedra estava molhada (Adeus às armas).

Num parágrafo só, Hemingway apresentou as principais atrações da principal praça de Milão que, por sinal, são os seus cartões-postais: a Catedral do Duomo e a Galleria Vittorio Emanuele II.


A catedral de estilo gótico e fachada de mármore branco possui dimensões grandiosas. São 157 metros de comprimento e 109 metros de largura. O seu teto, que assim como o interior da igreja também pode ser visitado, foi adornado com 135 pináculos decorativos, que podem ser vistos de várias partes da cidade.


Sobre a praça, ela possui uma área de 17 mil metros quadrados e é habitada pela estátua do primeiro rei do país, Vítor Emanuel II (1820-1878). O local é frequentado tanto por turistas como pelos milaneses que trabalham naquele entorno.


Acesso por diversas linhas de bondes e pelo metrô Duomo.


Galleria Vittorio Emanuele II

Depois do jantar passeamos pela Galeria cheia de restaurantes e lojas com as portas de ferro já descidas (Adeus às armas).

O centro comercial mais bonito e antigo da cidade — a Galleria Vittorio Emanuele II — fica ao lado da Piazza del Duomo. Ele foi construído entre os anos de 1865 e 1877, seguindo o desenho Renascentista do arquiteto Giuseppe Mengoni, que contemplava uma praça central em formato de octógono e as figuras dos signos do zodíaco no chão.


Quando soldado, Hemingway e Agnes jantaram no Biffi, restaurante instalado na galeria em setembro de 1867 e, até hoje, em funcionamento no mesmo local. Anos depois, já casado com Hadley Richardson, sua primeira esposa, o escritor voltou ao restaurante para se deliciar com os pratos e vinhos da casa (fato mencionado em Paris é uma festa).


Nota: Recentemente, esta galeria ganhou destaque no filme O Diabo Veste Prada 2.


Acesso por diversas linhas de bondes e pelo metrô Duomo.


Teatro alla Scala

Então, saí da Galeria, fui até a frente do Scala e comprei um jornal (O meu velho).

Além de incluir o principal teatro milanês — o Scala — no conto O meu velho, Hemingway também o frequentou. De acordo com documentos expostos no Museum Ernest Hemingway Collection (JFK Library, Boston), o então soldado americano assistiu, acompanhado de Agnes, a ópera “Gismonda”, de autoria do germano-escocês Eugen d’Albert (1864-1932).


Via Fiodrammatici, 2 (acesso por diversas linhas de bondes e pelo metrô Duomo).


Gerry's Bar, no Grand Hotel et de Milan


Reza a lenda que Hemingway frequentou o Gerry's Bar, localizado dentro do Grand Hotel et de Milan, e ensinou os garçons a fazerem o dry martini do jeito que ele gostava.


Não posso dizer se essa história é verdadeira ou ficção, visto que o site do luxuoso hotel não menciona o escritor na página dedicada ao bar e nem incluiu o seu nome nas suites especiais, mas deixo aqui o seu endereço, caso você queira dar uma passada por lá e tomar um drinque no Gerry's (Via Alessandro Manzoni, 29; metrô Montenapoleone).


Café Cova

Depois do nosso trabalho nas máquinas, às vezes íamos juntos ao café Cova, que ficava ao lado do Scala… Nós todos compreendíamos o Cova, lugar alegre e aquecido e de iluminação não muito forte, barulhento e enfumaçado em certas horas, sempre com moças nas mesas e jornais ilustrados numa prateleira na parede (Em um outro país).

O Café Cova dos tempos de Hemingway ficava num prédio ao lado do Teatro Scalla, na Via Alessandro Manzoni com a Via Giuseppe Verdi. 


O estabelecimento foi fundado, em 1817, por António Cova, um ex-soldado do Exército de Napoleão Bonaparte, e logo conquistou uma clientela fiel, composta tanto pelos frequentadores do teatro como por escritores, intelectuais, jornalistas, políticos e muitos outros.

Entrei no Cova procurando alguma coisa para Catherine. Decidi-me por uma caixa de chocolates e, enquanto embrulhavam, cheguei ao bar. Vi por lá alguns ingleses e dois aviadores. Tomei um martini sozinho, peguei meu pacote de chocolates e saí (Adeus às armas).

Infelizmente, bombas lançadas sobre a cidade, em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, danificaram a estrutura do Cova obrigando-o a fechar as portas. O café só voltou a funcionar em 1950 e em outro endereço, a Via Montenapoleone, 8 (que eu tive a oportunidade de visitar, recentemente, numa viagem seguindo as pegadas de Hemingway).

  

Como Ernest Hemingway sempre incluiu cafés em suas histórias, o Cova acabou sendo o lugar de Milão que eu mais associei com a figura dele. Quando visitei o espaço, quase pude sentir a sua presença no balcão do café, onde os fregueses tomam suas bebidas em pé e pagam mais barato por isso.


Em 2013, o Café Cova passou a fazer parte do grupo de luxo Louis Vuitton Moët Hennessy (LVMH) e ganhou filiais em Mônaco, Paris e Hong Kong (entendeu que o preço de um cafezinho ali vai nas alturas, né?).


Acesso pelo metrô San Babila.


Mapa com as atrações centrais de Milão, que podem ser visitadas a pé, numa caminhada de cerca de 35 minutos.


Ippodromo SNAI San Siro

O soldado Ernest Hemingway com Agnes e outras enfermeiras no hipódromo de San Siro (Foto: JFK Library).
O soldado Ernest Hemingway com Agnes e outras enfermeiras no hipódromo de San Siro (JFK Library).

O desejo de ver as corridas de cavalos fez Hemingway atravessar os nove quilômetros que separam o centro histórico de Milão do bairro de San Siro, para conhecer o hipódromo local — o Ippodromo SNAI San Siroe se divertir um pouco (Piazza dello Sport, nº 16; estação de metrô San Siro Ippodromo).


A experiência do escritor foi transportada para as páginas do conto O meu velho e de Adeus às armas:

Saímos e tomamos o rumo de San Siro num carro aberto. O dia estava lindo… Numerosas carruagens seguiam para o hipódromo. No portão de entrada, não nos cobraram ingressos porque estávamos de uniforme (Adeus às armas).

O Ippodromo SNAi San Siro data do início dos anos 1900, mas precisou ser redesenhado, em 1920, para atender a demanda crescente e formada tanto de plebeus como da nobreza. O projeto visionário do arquiteto Paolo Vietti-Violi serviu de inspiração para outros hipódromos ao redor do mundo e foi declarado, em 2020, Patrimônio de Interesse Cultural pela UNESCO.


Siga as pegadas de Hemingway você também

Se você, assim como eu, também acha as histórias criadas por Ernest Hemingway inspiradoras e gostaria de visitar lugares da elegante Milão por onde ele e seus personagens circularam na primeira metade do Século XX, faço votos de que coloque os indicados neste post no topo da sua lista. Eu acredito que você vai adorar conhecê-los.

Confira também:


Comentários


bottom of page