top of page
  • Facebook
  • Instagram
  • Pinterest
  • Blogger

Trilhas (2013)

Atualizado: há 5 horas

A longa travessia pelo deserto australiano feita pela escritora Robyn Davidson.



Imagine a seguinte cena.


Uma mulher de 27 anos de idade, atravessando mais de 2.700 quilômetros do escaldante deserto australiano, rumo ao Oceano Índico, acompanhada de um cão e quatro camelos, em pleno final da década de 1970.


Imaginou? Pois isso aconteceu com a escritora Robyn Davidson; numa aventura considerada insana e impossível por quase todos com quem ela teve contato!


A odisseia da escritora foi transportada para o filme Trilhas (Tracks, 2013), estrelado por Mia Wasikowska. Nele, vemos a jovem deixando Alice Springs, no Território Norte da Austrália, no ano de 1977, com a sua cachorra, Diggity, e os camelos que levariam seus equipamentos e pelos quais trabalhou por dois anos para conseguir.


Quando as pessoas a perguntavam o motivo de fazer algo tão arriscado, ela respondia apenas: “Por que não?”.

Alguns nômades sentem-se em casa em qualquer lugar. Outros, em lugar nenhum, e eu era um destes (Robyn Davidson).

Na verdade, Robyn queria experimentar a sensação de solidão, silêncio e liberdade que o deserto proporciona e poder dizer que fez algo que os demais julgavam impossível, particularmente, para uma mulher.


Como precisava de dinheiro para financiar a viagem, Robyn aceitou a proposta da revista National Geographic, que se interessou em documentar a aventura. Essa atividade ficou a cargo do fotógrafo norte-americano Rick Smolan (Adam Driver, de Paterson).

Adam Driver como o fotógrafo Rick Smolan, em Trilhas (Divulgação).
Adam Driver como o fotógrafo Rick Smolan, em Trilhas (Divulgação).

O papel de Rick seria o de encontrar-se com Robyn em alguns pontos pré-determinados do caminho e fotografá-la em momentos da viagem. 


No início, Robyn e Rick tiveram alguns atritos, visto que o fotógrafo parecia não ter limites sobre o que podia e o que não podia fotografar. No entanto, os dois acabaram se entendendo, e ele mostrou ser uma das pessoas com quem ela mais pôde contar ao longo daquele deserto causticante.


Outra ajuda que Robyn obteve para cumprir a sua missão foi a de um senhor aborígene chamado Eddy (Rolley Mintuma), que a guiou por lugares considerados sagrados, onde ela, sozinha, não tinha permissão para entrar, mas que precisaria, caso quisesse concluir o caminho no prazo previsto.


Como a aventura de Robin repercutiu dentro e fora da Austrália, enquanto ela ainda estava caminhando pelo deserto, a moça teve que conviver, ao longo do caminho, com a chegada de turistas curiosos e de jornalistas internacionais interessados em fotografá-la e entrevistá-la. Essas abordagens iam, totalmente, contra as motivações da jovem para estar naquele lugar, fazendo aquela caminhada sozinha.


Finalmente, depois de 195 dias de sol a sol, sede, fome e intrusões, a jovem consegue vislumbrar nas águas do Oceano Índico.


Naquele cenário cinematográfico, sob o olhar atento e (agora) amigável da câmera de Rick, Robyn dá um merecido mergulho nas águas de Shell Beach, na área de Shark Bay, acompanhada dos seus camelos. É o fim de um caminho extenuante, mas recompensador.


Os lugares da história de Trilhas


Robyn chega de trem a Alice Springs, no ano de 1975, com o objetivo de aprender a treinar camelos com fazendeiros locais e conseguir alguns desses animais para transportar os seus equipamentos durante a viagem.


Ela ficou dois anos na cidade, onde trabalhou no Continental Hotel; depois, com um fazendeiro trapaceador; e, por fim, com um cameleiro afegão, profissional e honesto, que a ajudou a conseguir seus animais.


Curiosidade: Alice Springs é o ponto de partida da história de Trilhas e o de chegada de Priscilla, A Rainha do Deserto (1994).


A rota da travessia de Robyn Davidson pelo deserto australiano


Ao longo de 2772 quilômetros de caminhada, Robyn Davidson passou por muitos lugares. Aqui destaco os principais:


  • O Parque Nacional Uluru-Kata Tjuta, área considerada sagrada e onde ela foi impedida de entrar por causa dos camelos. Esse parque foi declarado Patrimônio Mudial pela UNESCO.


  • Em Kaltukatjara, ou Docker River, os camelos somem e Robyn precisa procurá-los (imagine o susto!). Aqui ela também encontra uma comunidade aborígene, que aceita abrigá-la. Por causa da atitude invasiva de Rick, os aborígenes se recusam a acompanhar a jovem pelos caminhos sagrados, que seriam atalhos para a viagem dela. Mas, ao longo da caminhada, ela conhecerá Eddy, que aceita guiá-la.


  • Pipalyatjara, onde Robyn, acompanhada de Eddy, encontra Glendle (Tim Rogers), o último orientador disponível no caminho para ajudá-la.

Olha, desculpa tá. Eu vou até Wiluna deixando água pelo caminho. Eu marco os lugares no mapa (Rick).
  • Robyn faz o trecho rumo a Wiluna, na Austrália Ocidental, sozinha e conta com o suporte de Rick para conseguir água (significando um desvio de 1.000 quilômetros da rota dele para ajudá-la), já que se trata de uma das áreas mais secas daquele deserto. No caminho, ela chega na casa de um casal idoso, que a acolhe por alguns dias. Ali, ela se alimenta direito, toma banho e consegue relaxar um pouco.


  • Nessa parte do trecho, Diggity consome veneno e morre, deixando a jovem arrasada e arrependida de ter começado aquela jornada, aparentemente, sem sentido.


  • Também é nessa etapa final da viagem que uma dezena de jornalistas de vários lugares — Londres, Nova York, Paris, Saigon, Singapura e outras cidades — a abordam, querendo uma entrevista. Rick aparece e a ajuda a lidar com a situação.



Finalmente, Robyn Davidson chega na Costa Oeste australiana. A jornada dela durou 195 dias e terminou com um bom mergulho nas águas da praia Shell, em Shark Bay, uma famosa reserva natural marinha que foi declarada, em 1991, como Patrimônio Mundial da UNESCO.


Detalhe: Para o filme, as cenas que mostram ela chegando na praia, sendo aguardada por Rick, foram rodadas em Coffin Bay, na Península de Eyre, no sul da Austrália.


Curiosidades sobre filme, livro e autora:

Inspirado na narrativa reflexiva de viagem de mesmo título, publicada em 1980, o filme Trilhas foi dirigido por John Curran e teve a sua história um pouco ajustada, de forma a conseguir passar os efeitos dramáticos, geralmente, esperados pelo público de espectadores (mas não, necessariamente, pelo de leitores).


No site do IMDb, o rating médio do filme é 7.1 de 10, dado por cerca de 33.000 votantes (pessoalmente, considerei essa história nota 9).


Desde o final de sua famosa viagem, Robyn Davidson colaborou com a National Geographic e escreveu diversos livros, entre eles From Alice to Ocean (1992) e Unfinished Woman: A Memoir by Robyn Davidson (2023).


Passeios inspirados em Trilhas

Para conhecer e explorar o deserto australiano ou, pelo menos, partes dele, você não precisa empreender algo tão grandioso, ousado e arriscado como Davidson. Hoje em dia, existem muitos passeios guiados e outras alternativas de transporte, das mais econômicas às mais luxuosas. Confira duas sugestões:


  • Pegar um voo para Alice Springs desde Sydney, Melbourne e Adelaide, e, de lá, fazer passeios guiados (à pé, em camelos ou em veículos 4x4) até o parque do monólito Uluru (o cartão postal do país), o Alice Springs Desert Park e outras áreas do Outback.


  • Embarcar no trem de luxo Indian Pacific, em Sydney, às margens do Oceano Pacífico, numa jornada de 4 dias e 3 noites pelo deserto (não é a mesma região explorada por Robyn Davidson), até Perth, às margens do Oceano Índico, e de lá explorar as atrações da Costa Oeste australiana.


Para você ter uma ideia, de Perth até Shark Bay, onde Robyn termina sua aventura, são cerca de 7 horas de viagem por 697 quilômetros de estrada. O escritor de narrativas de viagens Bill Bryson fez um passeio de carro parecido pela Costa Oeste australiana, que eternizou no livro Down Under (título no Reino Unido) ou In a Sunburned Country (título nos Estados Unidos), mas isso é assunto para um outro post.


Até o dia de arrumar as malas, que tal começar a sua aventura assistindo — ou revendo — esse filme? Você, provavelmente, não vai querer repetir a mesma experiência de Robyn Davidson, mas, de alguma forma ou em alguma proporção, irá se inspirar por ela.


Confira:



Comentários


bottom of page